Um pouco da minha história

 

Vítor Wilher é fluminense, mas só de nascimento, posto que o coração repousa sereno na Colina Histórica. Na primeira infância tentaram por-lhe o grenar, o verde e o branco sobre o peito, mas tão logo ouviu o primeiro grito vindo das arquibancadas não teve dúvida: a cruz de malta virou seu pendão. Vinte e oito anos depois, os amigos e os que lhe conhecem só de vista dizem que antes de tudo, VW é mesmo um fervoroso – para não dizer fanático – Cruzmaltino.

O complementar de sua personalidade, ou seja, todo o resto de tempo que lhe sobra quando não está em São Januário, no Maracanã ou em frente a um televisão qualquer assistindo aos jogos do Gigante, é o que de uma forma ou de outra vai sendo exposto nesse site. Vítor Wilher é um compulsivo em tudo o que faz. Tem compulsão pela urgência, pela perfeição e sede de conhecimento sobre o funcionamento do Universo em que habita. Sobre qualquer pedaço dele, diga-se logo. Faz perguntas a todo o tempo, umas mais simples, tais “como o meu computador consegue se conectar à internet nesse momento?” e outras mais complexas, do tipo “Por que Deus existe?”. O leitor perceberá que umas são mais fáceis de responder, dada a busca incessante em livros e artigos, outras já pairam mais tempo em sua mente.

Os questionamentos internos, por suposto, não poderiam virar outra coisa do que senão textos. Afinal, todo Escritor é mesmo um ser-humano que não consegue se encaixar de modo perfeito nesse mundo. É como uma peça de lego para o qual não há outra com os mesmos furinhos correspondentes. E daí para nascerem crônicas, poesias, romances e contos é mesmo um pulo. É essa relação, tumultuada e totalmente sem disciplina, que Vítor Wilher mantém com a escrita: são suas mais secretas confidentes. Até, claro, serem publicadas nesse e em outros espaços.

Vascaíno, Escritor e Economista, por suposto. A terceira perna completa sua face humana e lhe dá o sustento. Mais não é apenas isso. A economia não foi claro sua primeira opção na infância, afinal nenhum garoto normal responde economista para a pergunta o que vai ser quando crescer. Mas, é claro, já haviam lá alguns traços. Um de seus passatempos infantis favoritos, por exemplo, era brincar de dinheiro, em todas as formas possíves. Brincava de fazer dinheiro, veja você, leitor! A sua Casa da Moeda às vezes eram as mangueiras do quintal, às vezes as revistas velhas de casa. Recortava as cédulas e trocava por biscoitos, figurinhas, bolas de gude, pipas e toda a sorte de outros produtos, com os colegas e com a família. Montou, veja você, sua própria economia, o então moleque.

Pois é, vai saber, mas lá estava a semente do Economista que hoje tem na política monetária um de seus principais interesses acadêmicos. Acompanha de perto a condução da mesma pelo Banco Central, em sua missão tácita de regular a oferta do numerário frente a demanda de ávidos consumidores por bens e serviços. Igualmente, vê no estudo da macroeconomia como um todo um dos assuntos mais fascinantes que o intento humano foi capaz de organizar como campo de estudo. Tem profundo interesse pela agregação das milhões de interações que indivíduos conhecidos e desconhecidos fazem a todo instante no complexo e instigante organismo econômico.

A política é outro interesse compulsivo que Vítor Wilher acalenta desde os primeiros anos de adolescência. Viu nela um instrumento poderoso de transformação dos vários tipos de habitat humano: desde um simples condomínimo até a administração de uma nação. É afixionado por entender relações de poder, estruturas de governança e, claro, pela retórica consistente do debate político. Às vezes, claro, com mais afinco e paixão, outras vezes com profunda desilusão por tamanho mal uso do campo.

O gosto pela educação sintetiza toda essa sede de conhecimento, compulsão por perfeição e sentido de urgência. Entende que a única forma de diminuir a grave e persistente assimetria de oportunidades em seu país é a construção de um sistema público de educação básica, com qualidade reconhecida pelos exames padronizados internacionais. Estuda com afinco e determinação tanto a economia quanto a pedagogia da educação. Quer a um só tempo pensar, gerir e ensinar. Não se contenta apenas em dar palpites, seja via artigos de opinião, ou papers mais acadêmicos. Quer participar da construção desse tal sistema ideal, tanto na gestão de escolas, quanto no próprio exercício da profissão docente. É, por suposto, um fascinado por tudo o que tem a ver com educação, desde a administração de recursos do erário até o sagrado direcionamento de mentes não tão sedentas por conhecimento.

E por tudo isto, Vítor Wilher voltou: com senso focado na realização. Após um período de desilusão profunda, refletido em um sabático forçado – que pode ser conferido em seu primeiro artigo pós-volta “Relatos de um Oposicionista Desiludido” – “o malandro voltou fissurado”. Está doido para produzir pilhas e mais pilhas de textos, de tomar partido nas mudanças que acha urgentes em seu país e, claro, completar os seus próprios projetos pessoais. O leitor fique a vontade para conferir a caminhada rumo a estes objetivos.