Posted: julho 27th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, mulheres, tipos de mulheres | No Comments »
Há dois tipos de mulheres, o leitor mais astuto e experiente já deve saber disso. Há as que te levam do ponto onde está para frente e as que, do contrário, te mandam de volta para o começo ou até, quando o caso é grave, para bem longe desse pseudo zero absoluto. O tempo que passei ao lado de Ana me mostrou que ela definitivamente não me mandaria de volta para a terra de onde saí. Estava a certa altura de nosso relacionamento convencido de que havia chegado nesse nirvana poético – e inatingível para a maioria dos poetas – chamado felicidade. Se alguma época, pedaço de tempo ou circunstância cheguei relativamente próximo desse sentimento mágico a que todo ser humano em sã consciência está em busca, foram nos braços pálidos, porém reconfortantes, daquela linda morena de olhos azuis. Nossas noites eram quase todas elas acompanhadas de poesia, beijos e abraços aos montes e um sorriso meio envergonhado por parte dela. Nesse ponto, a propósito do fato, Ana nunca deixou de ser uma menina tímida e encantadora, do primeiro ao último fio dos belos e brilhantes cabelos pretos. Tinha uma áurea feminina que os tempos contemporâneos trataram de empurrar para debaixo do tapete. Era doce, sem ser ingênua. Era sensual, sem apelar para a vulgaridade. Tinha traços de inteligência, perspicácia e determinação, sem querer uma independência pasteurizada, voltada apenas para uma provação feminista com pouco sentido. Ana nunca sofreu dessa necessidade que algumas mulheres de hoje sentem em provar algo para todo mundo. Pelo contrário, Ana sempre quis provar da vida, nada mais nada menos que isso.
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Posted: maio 20th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, escritos, literatura, poesia, rabiscos, romances | No Comments »
Sempre achei curioso e ao mesmo tempo um tanto quanto assustador o fato de que o curso total ou parcial de nossas vidas depende de uns poucos eventos. Anos ficam à sombra de parcos minutos ou no máximo horas. Um ou outro acontecimento determina uma grande parte do tempo em que respiramos nesse mundo. A curiosidade me vem em imaginar como minha vida seria diferente se determinadas situações tivessem se materializado de maneira distinta. Se por acaso do destino uma escolha que fizesse fosse mudada, tudo o mais constante, como seria meu futuro? Tal comportamento sempre me traz a cabeça o velho Sampaio, professor de História dos meus primeiros anos de ginásio. O “se”, ele dizia, não entra no estudo histórico, porque ele simplesmente não aconteceu. Ficava enfurecido, o senhor de face arredondada, óculos fundo de garrafa e estatura desproporcional, toda vez que um aluno seu imaginava outra versão para os fatos. E se, cogitava alguém só para implicar com o velho, Napoleão não tivesse invadido a Rússia, hoje falaríamos todos francês? “Não faça isso seu peralta inconseqüente!”, o velho gritava lá da frente, dando murros vibrantes no quadro negro. E pagava sempre o mesmo sermão, reavivando nossas memórias para os fatos. A História trata apenas dos fatos, dizia ele. Nada mais do que os fatos. Mas mesmo com aqueles avisos constantes e os murros esbravejados, nunca perdi o hábito de cogitar outras versões para minha própria história.
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Posted: maio 9th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, literatura, literatura e economia, romances urbanos | No Comments »
Deixei Ana um tanto quanto desapontada algumas páginas antes. Aqui volto a ter com ela contato. O faço para cessar minha dívida com o leitor e também para que o mesmo recupere o próprio fôlego. O que disse é que aprendera com ela minha primeira lição em relação às mulheres. Todas elas, sem exceção nesse caso, perdem o interesse quando são plenamente cortejadas. E eu, demonstrando a menor das atenções possíveis, me fiz o melhor alvo que Ana teria daquele dia em diante. Não passava um dia em que não viesse acompanhar as peladas na rua. Ao ouvir da primeira batida de bola, lá estava ela a abrir o portão e sentar-se carinhosa e cuidadosamente no banquinho de cimento da sua calçada. Meus olhos a essa altura brilhavam, é claro. Tudo o que o leitor já sabe se repetia toda vez que dava de cara com aqueles olhos azuis.
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Posted: maio 4th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, literatura, prosa, romance | 2 Comments »
Uma única vez, isso não posso deixar de relatar, minha excitação futebolística aumentou por apenas um grito feminino. Por apenas um ungido solitário e plenamente identificável. Quando a vizinha do lado direito resolvia torcer por mim, com gritinhos abafados, porém plenamente absorvidos, eu sentia algo diferente. A vontade de jogar mais e melhor permanecia, mas não se tratava agora apenas disso. O que eu queria com tudo aquilo era que ela permanecesse comigo, torcendo por mim.
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Posted: abril 12th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores urbanos, futebol, paixões de infância | No Comments »
Não me lembro ao certo quanto tempo permaneci ali, naquele meio-fio; só o que me recordo, e isso é até meio irônico de se dizer, foi a minha vida sendo passada em revista. Todos os acontecimentos que de uma forma ou de outra me levaram até aquele momento. Pensei na infância. Não em toda ela, porque para isso haveria de ter muito mais álcool e porrada envolvida.
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Posted: abril 5th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Romances | Tags: amores de uma noite, bebedeira, one night stand, pileques, porres, teoria do meio-fio | No Comments »
Tive, é certo, muitos amores urbanos ao longo da vida. Urbanos porque sempre foram rápidos, intensos e sem prestação de contas no final. Amores porque eu sempre fui um cara romântico, apesar do que o leitor ou a leitora podem ouvir por ai. De fato, até chegar aquele meio-fio, com aqueles dois indivíduos muito do mal encarados, eu nunca tinha pensado seriamente sobre isso.
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Posted: março 28th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Crônicas Urbanas | Tags: chamando a polícia, envelhecer, envelhecimento, problemas da velhice, vigor físico | No Comments »
Chega um momento em sua vida que tudo, absolutamente tudo, se torna diferente. Acontece assim, em um estalar de dedos. De repente – não mais que de repente – você passa a acordar bem cedo para trabalhar. Produz bastante, almoça correndo, reuniões e produz mais um pouco. Dão cinco horas, você sai do escritório e, de tanto produzir, você se concede um momento de relaxamento: toma dois ou três chopes, conversa com os amigos e afrouxa a gravata.
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Posted: janeiro 29th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Crônicas Urbanas | Tags: casos de uma noite, histórias de amor, paixões, relacionamentos | No Comments »
Há uma linha ténue entre amor e loucura. Ambos são caracterizados por total ausência de razão. E, nos dois casos, mesmo que em diferentes graus, existe uma falta de amor próprio. Ora, o ato de amar alguém exige que se retire o foco de si mesmo. E enlouquecendo-se, jaz o último suspiro de respeito de si próprio.
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Posted: janeiro 25th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Crônicas Urbanas | Tags: casos de uma noite, histórias de amor, paixões, relacionamentos | No Comments »
Já faz algum tempo que não nos vemos. Há caminhos na vida que devem ser trilhados solitariamente. Você e eu sabemos bem disso. Tivemos nossas recaídas, aqui e ali, mas no geral viramos completos estranhos um para o outro. Confesso que para mim não foi fácil. Sei que para você também não foi. Caso contrário, não teria me ligado naquela noite.
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Posted: janeiro 19th, 2011 | Author: vitorwilher | Filed under: Crônicas Urbanas | Tags: casos de uma noite, histórias de amor, paixões, relacionamentos | 1 Comment »
Quando o assunto é trabalho, meu conceito sobre meritocracia não possui viés: ou o cidadão é competente ou ele não é. Se sim, o capitalismo esta ai para recompensá-lo, com tudo o que ele merece. Se não, o mesmo capitalismo manda uma mensagem direta: filho, vá arrumar outra coisa para fazer na vida, pois não é ai que você vai demonstrar seu maior talento. Simples, como dois mais dois são quatro.
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